Stai parlando con me?!


Itália: non capisco!

 

Non parlo italiano!

 

Certamente a maior dificuldade que enfrentamos aqui foi a língua. Vir para Itália sem saber falar uma linha de italiano pode ser bem complicado. A não ser que visite apenas os lugares com forte movimento de turistas, aí sim, nenhuma dificuldade. Em Milão, por exemplo, desde o atendente do McDonalds até a caixa da loja de departamentos falam inglês; e os cardápios, nos restaurantes, tem todas as opções também em inglês. (Quer dizer, pode vir sem falar italiano, mas sem falar inglês vai ficar difícil!!!).

Porém, nem todos os lugares que visitamos eram “tourist friendly”, inclusive a cidade em que estamos hospedados. Cinisello não é uma cidade turística, está mais para uma “Osasco” ou algo menor... então, de modo geral, é preciso falar italiano para se comunicar. E os italianos, principalmente os idosos, não são muito fãs de quem não os entende. Outro dia, na fila do mercado, uma velhinha falou alguma coisa pra mim, e eu disse que não falava italiano e não entendia. Ela começou a me passar um sermão: se vai morar aqui tem que falar italiano. Brava mesmo! Minha irmã disse que éramos turistas, e a velha mudou na hora. Na cara dela deu pra ver a tensão diminuir, sorriu, me deu tapinha no braço, e disse que mesmo assim era bom saber falar italiano. E eu deixei ela passar na minha frente, pq o gelatto ia derreter!! 

É, acho que rola um preconceito com imigrante também... mas este é outro tema.

Enfim, para comprar bilhetes de ônibus ou no mercado, desde que o caixa não faça perguntas extras, depois da primeira vez, você se vira bem, mesmo em Cinisello. Mas passamos por algumas situações engraçadas, a maioria em restaurantes, o que torna a experiência ainda mais emocionante, por que você nunca tem muita certeza do que você vai comer quando seu pedido chegar! 

Chegamos a Monza bem na hora do almoço, por volta de 12h30/13h, e só faltaram as bolas de feno voando para nos receber. Sim, porque na Itália, tudo fecha para o almoço e reabre lá pelas 15 horas, até alguns cafés e restaurantes! Assim, andamos por cerca de 20 minutos procurando um lugar para comer, na hora do almoço. Vale dizer que dispensamos algumas opções por questões financeiras; outro problema, é preciso procurar bem, porque a tendência, pelo menos nesta época do ano e da história econômica da Itália (e da Europa), parece ser “tudo muito caro”.

Por fim encontramos uma placa: Primo, secondo, contorno, ½ aqua - 9 euros.

Arriscamos, afinal, 9 euros por uma refeição completa não dá pra dispensar. O lugar era bem simpático e simples. Não havia cardápios, as opções do dia estavam rabiscadas num quadro branco na parede do salão, só em italiano, mas parecia bem claro: penne, spaghetti, bistecca, cottoleta, bracciola, patate, insalata...

A moça que nos atendeu não falava inglês, é claro, mas teve muita paciência para nos explicar as opções do “primo”, e pedimos nossas massas deliciosas sem maiores confusões. Veio o momento de solicitar o “secondo”. Uma outra moça nos atendeu, e essa não teve tanto jogo de cintura para nos ajudar com a escolha, mas meu pai pediu uma bistecca e eu pedi uma bracciola, com patate como contorno. Quando vieram nossos pratos, pra ele veio algo que parecia um bife e pra mim uma bisteca. Eu olhei, meu pai olhou, e a moça ficou olhando... foi um momento de “tem algo errado”. Eu falei: Bracciola? E ela confirmou... Bracciola!. E eu descobri que bracciola é bisteca, e bistecca é um tipo de bife mesmo. 

A primeira moça voltou, toda solícita, dizendo que a colega dela achava que tinha feito alguma confusão, e eu tentei explicar que bracciola, no Brasil, era outra coisa, e ela foi simpática, quis saber como era a bracciola pra gente, e ofereceu para trocar... mas comi, estava bom, e eu gosto de bisteca também! 

Percebi que, quando o italiano que está falando tem paciência, a gente entende bem, mesmo que não consiga falar. Só precisa ter a sorte de encontrar um italiano paciente, porque, em outras situações, eu fiz meu pedido, e o garçom ou garçonete acrescentou uma pergunta que eu não fazia ideia do que ele ou ela estava falando, e sempre respondi com um aceno afirmativo de cabeça... são nessas horas que eu fico com mais medo do que vai aparecer no meu prato!

Por isso, já aprendemos, na dúvida, peça a salada... são sempre enormes e deliciosas, e nesse calor, vale a pena!

 

 

 



Escrito por Rê às 06h04
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  Este blog é velho... muito velho... quase tão velho quanto eu! Já foi diário, já foi vitrine, já foi livro, foi uma tentativa de aula de inglês... agora, terá nova função: diário de viagem. Será?! Veremos...



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